A Polícia Civil de Araçatuba (a 524 km de São Paulo) afirmou hoje que o advogado Ronaldo Cesar Capelari, 53, foi esquartejado cerca de 18 horas depois de ser assassinado. O caso também teve uma reviravolta: três suspeitos apontados inicialmente como responsáveis pelo crime foram inocentadas por outra mulher presa, que confessou a autoria com o namorado.
Capelari era casado e, na segunda-feira (13h), combinou de encontrar-se à noite com outra mulher, Laís Crepaldi, 24. Ao sair de casa, ele disse à família que iria à academia de natação.
Em depoimento, a jovem afirmou que tinha uma “relação próxima” com a vítima havia dois meses e que serviu de isca para um crime de roubo contra Capelari.
Quando entrou na casa de Laís, o homem foi golpeado na cabeça por Jonathan de Andrade Nascimento, 21, que é namorado da moça . O advogado gemeu de dor e quando tentou reagir, levou outros golpes de martelo. A vítima perdeu muito sangue. Os detalhes do crime foram relatados à polícia por Laís e Jonathan, que são considerados suspeitos e estão presos.
“Para não verem o sofrimento da vítima, eles amordaçaram a vítima, cobriram o rosto dela e amarraram com fita isolante. Como viram que ele [o advogado] estava muito mal, o esfaquearam nas costas e no pescoço”, afirmou Antônio Paulo Natal, delegado responsável pelo caso.
Jonathan teria tentado colocar o corpo no carro da vítima, mas não conseguiu carregá-lo sozinho. A essa altura, Laís já tinha deixado o imóvel. Segundo o delegado, no dia seguinte, o suspeito pediu ao pai uma carreta emprestada com a desculpa de retirar entulhos da casa da namorada, mas com medo de o crime ser descoberto, desistiu da ideia.
Em depoimento à polícia, o suspeito disse que decidiu pegar utensílios na casa do pai, sem que ele soubesse, para esquartejar Capelari. As investigações mostraram que Jonathan ainda comprou sacos plásticos e luvas cirúrgicas no dia seguinte ao crime. “Não tinha câmeras na loja, mas uma nota fiscal da compra comprova isso”, disse o delegado.
Na tarde de terça-feira (14), cerca de 18 horas depois da morte, o casal voltou ao imóvel e esquartejou o corpo que foi dividido em três sacos plásticos. Eles fizeram isso para conseguir carregar o cadáver e, então, fazer o descarte.
As mãos e o celular da vítima foram jogados no córrego Baguaçu e até agora não foram encontrados, segundo os suspeitos.
A Polícia Civil informou que os dois suspeitos – que foram levados hoje para unidades prisionais do interior de São Paulo – não possuem advogados constituídos.
Já a advogada Dayse Ramos Nery, que representa os jovens que foram soltos, disse ao UOL que trabalha com a linha de que os três sejam inocentes. “Meus clientes garantem que possuem nenhum contato com a garota. Um deles disse apenas conhecê-la por nome”, afirmou.
Antes mesmo da reviravolta no caso, fotos dos três jovens foram publicadas em redes sociais e compartilhadas em grupos do WhatsApp. “Analisamos várias medidas que podem ser tomadas para essa situação, até mesmo pedir uma indenização. Mas ainda estamos estudando se isso vai acontecer”, disse Dayse.
