Doze das 22 empresas de ônibus que operam na cidade de São Paulo são suspeitas de ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo o Ministério Público de São Paulo.
Elas foram alvo da Operação Vectura Corrupta, realizada pela Polícia Civil e pelo MP-SP na manhã desta quinta-feira (17), que também tem como alvo o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), também ex-presidente da Câmara Municipal, e o ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira. (leia mais abaixo)
Essas empresas investigadas possuem mais da metade de todo o sistema de ônibus da capital paulista, que é o maior da América Latina e está entre os cinco maiores do mundo.
Criadas a partir de cooperativas de transportes, operam no chamado subsistema local, dos bairros mais afastados. Este subsistema responde por 6.029 ônibus da frota total de 13.690 veículos.
Veja abaixo as empresas que fazem parte das investigações da Operação Vectura Corrupta:
- Viação Transcap Transportes
- Alfa Rodobus Transportes
- Transwolff Transportes
- A2 Transportes
- Imperial Transportes
- Move Buss Transportes
- Pêssego Transportes
- Allianz Transportes
- Transunião Transportes
- Qualibus Transportes
- Norte Bus Transportes
- Spencer Transportes
A Transwolff — com outra empresa de ônibus, a UPBus — já tinha sido alvo de outra operação, a Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 pelo MP-SP por suspeita de lavagem de dinheiro e favorecimento ao PCC.
As investigações apontam que o dinheiro usado para aumentar o capital da Transwolff poderia ter origem ilícita — ou seja, os recursos seriam provenientes de atividades do PCC.
O esquema envolveria uso de “laranjas” e “CNPJs fantasmas”, facilidades de empresas de fachada para ocultar as verdadeiras origens dos valores, algo típico de lavagem de dinheiro.
Em função dessas suspeitas, a Prefeitura de São Paulo rescindiu os contratos e assumiu o controle da Transwolff e da UPBus em dezembro de 2024. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que não há nenhum risco de ligação com o PCC. “Fiz a intervenção em 2024 na TrasWolf e caducidade, esse empresa é administrada pela prefeitura”, afirmou.
Milton Leite
Milton Leite não foi encontrado pelos policiais que foram à sua casa para cumprir o mandado. Segundo apurou a GloboNews, a polícia passou a considerá-lo foragido diante das circunstâncias encontradas no imóvel. Policiais permanecem no local para cumprir mandado de busca e apreensão.
De acordo com informações obtidas durante a diligência, Milton estava em casa até a tarde de quarta-feira (16). Uma funcionária relatou aos policiais que ele saiu à noite para um compromisso de campanha.
Também foram presos Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e atual candidato a deputado estadual.
Em nota, Milton Leite afirmou que está viajando e negou estar foragido. “Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações”, declarou o ex-vereador.
Ao todo, a operação busca cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
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Buscas na casa de Milton Leite — Foto: TV Globo
Ex-presidente da SPTrans preso
Entre os presos está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. Segundo os investigadores, apesar de Levi não aparecer como interlocutor direto de José Daniel Satilite, apontado como um dos personagens centrais do esquema, os dois teriam mantido encontros periódicos.
A investigação afirma que essas reuniões tinham como finalidade tratar de interesses da facção relacionados a empresas de transporte, especialmente após a deflagração da Operação Fim da Linha pelo Ministério Público de São Paulo, em 2024.
A defesa de Levi dos Santos Oliveira diz que ele não tem antecedentes, construiu ao longo de décadas, uma trajetória de relevantes serviços públicos prestados à cidade de São Paulo, atuando na SPTrans, onde se consolidou como referência técnica em sua área.
Outra frente da operação chegou a Danilo Marco Morgado Silva, que disputou a Prefeitura de Praia Grande em 2024 e era candidato a deputado estadual, mas teve o registro cassado. Ele também foi preso nesta quinta.
Danilo já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão na Operação Decurio. Segundo a Polícia Civil, a nova etapa da investigação identificou um “forte vínculo” dele com integrantes do PCC e indícios de que sua campanha à prefeitura teria sido financiada pela organização criminosa.
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Fonte: G1
