Sumé, Paraíba, 05/03/2026
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Botijão de gás comprometeu 9,3% do salário mínimo em abril

O gás de cozinha em abril consumiu cerca de 9,3% do salário mínimo, atualmente em R$ 1.212,00. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que, em média, o botijão de 13 kg foi vendido por R$ 113,51 no último mês. O órgão regulador aponta ainda que o preço máximo da revenda chegou a R$ 160,00.

Conhecido popularmente como gás de cozinha, o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) tem custado mais que o dobro da quantia concedida pelo Auxílio Gás.

O programa do Governo Federal, que ajuda famílias de baixa renda na compra do botijão, é calculado com base nos dados da ANP. O benefício cobre 50% do valor médio do recipiente de 13kg. Em abril, a parcela foi de R$ 51,00.

Este é o maior número já registrado pela série histórica mensal, iniciada em 2001. Em comparação com o mesmo período do ano passado, a população pagou R$ 28,50 a mais pelo botijão. Em abril de 2021, a média de preço era de R$ 85,006.

Desde que o salário mínimo foi reajustado, em janeiro deste ano, o preço do gás no país aumentou mais de R$ 11,00. Apesar do avanço em quatro meses, o valor do botijão já vem em uma subida mais acelerada desde outubro, quando ultrapassou a cifra dos R$ 100,00.

O economista da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV EESP), Joelson Sampaio, explica que a alta tem sido muito influenciada pelo cenário econômico fora do Brasil.

“Isso é explicado, principalmente, por conta do aumento do preço das commodities. Os preços internacionais subiram e a gente segue o mercado internacional. Inclusive, uma parte do gás de cozinha que a gente utiliza no Brasil é importado. Assim, a gente acaba tendo esses reflexos no aumento de preços do GLP”, afirma.

O professor da FGV também destaca que essa não é uma problemática exclusiva do GLP. “Quando a gente analisa a evolução de preço do petróleo, ele tem um comportamento muito similar. Então, esse aumento acaba influenciando os combustíveis de uma forma geral”, complementa.

De acordo com o especialista, o avanço no preço das commodities, que antes era motivado pela pandemia de Covid-19, se tornou uma consequência direta do conflito entre russos e ucranianos no Leste Europeu.

Frente a isso, Sampaio chama a atenção para o desempenho dos preços do GLP nos próximos meses. “A gente já teve o maior impacto da guerra. Então, é provável que daqui pra frente a gente tenha um arrefecimento dessa trajetória. Mas isso também vai depender dos desdobramentos do conflito. Ou seja, pode piorar também. A princípio, a gente já teve o choque inicial e a tendência é que haja um arrefecimento”, conclui.

Fonte: Informa PB

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