O ex-prefeito de Serra Branca e professor Zizo Mamede, divulgou um texto em defesa de uma possível filiação do ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho ao Partido dos Trabalhadores.
Confira:
Eu nem sei de Ricardo Coutinho de fato quer ingressar no quadro de filiações do Partido dos Trabalhadores, mas se for o caso, eu apoio.
Assim como torço pelas filiações de Dr. Romualdo Quirino, Estela Isabel, Cida Ramos, Jeová Vieira, Marcia Lucena e muitxs outrxs companheiros do campo progressista e popular.
Antes de explicitar os porquês imediatos para a defesa do ingresso de personalidades públicas e militantes da esquerda no PT, penso em questões mais gerais do cenário.
O PT sempre defendeu a reforma eleitoral que extinguisse as coligações das chapas proporcionais, com a correta leitura de superar a pulverização partidária.
No Brasil, três situações ensejaram o surgimento de dezenas de siglas partidárias: o fundo partidário, as coligações das chapas proporcionais, o familismo político.
Assim, temos dezenas de legendas de aluguel regadas com dinheiro público e leilões na construção das alianças, com seguidas eleições de mandatos parlamentares autocráticos.
O fim das coligações proporcionais é um golpe no balcão das negociatas eleitorais. Outro golpe seria o fim do fundo partidário. Por fim, o voto na lista partidária para sacramentar.
Na Paraíba, a família Ribeiro tem um PP para chamar de seu. Dr. Damião tem o PDT. Welington Roberto é o dono do PR. Julian Lemos é o proprietário do PSL. E por aí vai.
Todos eles se elegeram em coligações bem esquisitas, com figuras das mais variadas posições políticas. Com o PT, à exceção da eleição de 2002, não foi diferente.
Neste novo cenário sem coligações proporcionais, mais algumas eleições levarão à extinção de muitos partidos políticos nanicos e/ou de base familiar.
Com o fim das coligações para eleições parlamentares, as forças políticas, progressistas ou conservadoras, necessariamente precisam se aglutinar em poucos partidos.
Seria presunção desmedida do petismo pensar que todas as esquerdas afluiriam para este partido, que é o maior e mais consolidado em todo o campo democrático e popular.
Com a mudança da legislação eleitoral, o que as diversas forças políticas da esquerda têm que fazer? Aglutinar ou ver os partidos de menor densidade eleitoral sucumbirem?
Parece lógico e deveria ser óbvio para todas as vertentes políticas da esquerda no país que, ou formam uma frente em um novo partido, ou fortalecem quem já está mais fortalecido.
Não dá para fazer uma construção desta envergadura em curto espaço de tempo, ainda mais com uma eleição geral batendo à porta (com a urgência de derrotar o “Bolsonarismo”).
Voltando à Paraíba, o que temos: Quem há duas décadas queria expulsar Ricardo Coutinho do PT agora defende o seu reingresso e quem o defendia agora o rejeita. Dá para entender?
Só que agora duas circunstâncias se impõem: As potências do “Lulismo” e de Ricardo Coutinho, num momento de articulações para a eleição 2022.
O que poderia se colocar acima dos personalismos, dos agrupamentos em torno de personalidades, de mandatos e gabinetes? – Uma agenda democrática e mobilizadora.
Zizo Mamede- PT de Serra Branca
