
A população paraibana deve chegar aos 4 milhões de habitantes somente em 2020. Esse volume populacional era o esperado para este ano. No entanto, a taxa de fecundidade decrescente e o saldo migratório negativo são fatores que determinam a taxa de crescimento da população no estado. O crescimento populacional no estado continuará atingindo o ápice em 2040 com 4,267 milhões, quando começará a declinar, chegando a 4,048 milhões em 2060.
As informações foram divulgadas nessa quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). De acordo com a pesquisa, atualmente, a taxa de fecundidade no Estado é de 1,76 filho por mulher. Em 2060, essa taxa cairá para 1,64 filho.
Esse comportamento mostra que a maioria das mulheres tem adiado a maternidade, o que está acontecendo em todo o país. Na Paraíba, a idade média das mulheres que engravidaram este ano é em torno dos 26,9 anos. Já em 2060, essa média de idade deve subir para 28,3 anos.
Diferente do que aconteceu há mais de 30 anos, quando a comerciante Maria Alves teve o primeiro filho, aos 24 anos. “Naquela época se tinha filho até mais cedo. Eu que engravidei tarde e também só tive dois filhos”, contou.
As projeções indicam que serão registrados, este ano, 58.711 nascimentos, número que vai diminuir para 36.674, em 2060. Já o número de mortes para 2018 está estimado em 31.128, aumentando para 54.254, em 2060. Quanto ao saldo migratório, este ano o IBGE prevê que 5.722 pessoas deixarão o estado, número que vai diminuir pouco e será 4.552 em 2060.
Para ter vitalidade e saúde aos 62 anos, o comerciante Antonio Firmino mantém uma rotina saudável, na medida do possível. Além de fazer caminhadas e abandonar o tabagismo, ele conta que faz consultas periódicas. Em 2060, idosos como ele serão mais de 25 % da população residente na Paraíba, segundo o IBGE. Em contrapartida, o percentual de jovens, na faixa etária de 0 a 14 anos, deverá ser em torno de 13%.
A redução é fruto da combinação da queda do nível da fecundidade, combinado com um saldo migratório negativo. “Esses dois efeitos fazem com que em 2041 a gente imagina que a população diminua”, explicou o demógrafo Tadeu Oliveira, do IBGE.
Segundo ele, se fosse desconsiderado o quesito migratório, esse processo seria adiado em seis anos, passando a acontecer apenas em 2047. Tadeu afirmou ainda que a questão da redução da taxa de fecundidade se explica por fenômenos como maior escolarização das mulheres e também o maior número delas no mercado de trabalho.
No país
O panorama no Brasil é que esse fenômeno de diminuição da população só aconteça em 2048. A população vai continuar em crescimento até atingir 233,2 milhões de pessoas em 2047. A partir deste ano, entrará em declínio gradual chegando a 228,3 milhões em 2060.
O demógrafo Tadeu Oliveira fez uma análise da situação. “Os países com estágio maior de desenvolvimento estão passando por isso. É o caso dos europeus, Japão, EUA. A Espanha já perde população, o que ‘segura’ esses países é a imigração. Alguns não diminuíram de tamanho porque a imigração compensa a questão da fecundidade”, frisou.
Fonte: Correio da Paraíba