{"id":16724,"date":"2019-04-19T05:52:53","date_gmt":"2019-04-19T08:52:53","guid":{"rendered":"http:\/\/noticiasemdestaque.com\/cd\/?p=16724"},"modified":"2019-04-19T05:52:53","modified_gmt":"2019-04-19T08:52:53","slug":"a-ascensao-da-okaida-faccao-criminosa-com-6-mil-soldados-na-paraiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiasemdestaque.com\/cd\/?p=16724","title":{"rendered":"A ascens\u00e3o da Okaida, fac\u00e7\u00e3o criminosa com 6 mil &#8216;soldados&#8217; na Para\u00edba"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/0F36\/production\/_99549830_hi043945967.jpg\" alt=\"Homem presos atr\u00e1s do arame farpado\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Formada principalmente por jovens e adolescentes, a Okaida conta com um &#8216;ex\u00e9rcito&#8217; de cerca de 6 mil pessoas na Para\u00edba<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">Era para ser uma esp\u00e9cie de clipe musical sobre o crime na Para\u00edba. Sete jovens est\u00e3o com os rostos cobertos por panos brancos. Ao viol\u00e3o, um deles toca uma melodia roqueira. Tr\u00eas garotos, mais atr\u00e1s, carregam facas e fazem movimentos de dan\u00e7a como se estivessem golpeando algu\u00e9m. \u00c0 frente, o vocalista nomeia a m\u00fasica: &#8220;Mago do Fac\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>A letra come\u00e7a assim: &#8220;Pensamento eloquente me leva a mais um aviso \/ poder do crime fica cada vez mais infinito&#8221;. O refr\u00e3o, por sua vez, explica quem \u00e9 o protagonista do som: &#8220;Nossa uni\u00e3o \u00e9 massa em v\u00e1rias quebradas \/ fechamento forte \/ fac\u00e7\u00e3o Okaida&#8221;.<\/p>\n<p>O v\u00eddeo, gravado em uma pris\u00e3o e publicado no YouTube em maio de 2017, mostra duas caracter\u00edsticas da fac\u00e7\u00e3o que hoje praticamente domina o crime paraibano: juventude e autopromo\u00e7\u00e3o em redes sociais.<\/p>\n<p>Composta de jovens e adolescentes, a Okaida cresceu nos \u00faltimos anos: atualmente, domina v\u00e1rios munic\u00edpios, expandiu seus bra\u00e7os para Pernambuco e conta com 6 mil membros &#8220;batizados&#8221; na Para\u00edba, segundo investiga\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual paraibano.<\/p>\n<p>Como compara\u00e7\u00e3o, o Primeiro Comando da Capital (PCC), maior e mais poderosa fac\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, tinha pouco mais 30 mil &#8220;filiados&#8221; em 2017 &#8211; recentemente, o grupo fez uma campanha para aumentar seu &#8220;ex\u00e9rcito&#8221;.<\/p>\n<p>Em outubro do ano passado, os &#8220;soldados&#8221; da Okaida deram outra demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica de for\u00e7a: promoveram queimas de fogos de artif\u00edcio para comemorar o anivers\u00e1rio da sigla em seis cidades da Para\u00edba, como Jo\u00e3o Pessoa, Campina Grande, Santa Rita e Guarabira. V\u00eddeos da festa est\u00e3o nas redes sociais e no YouTube.<\/p>\n<p>Em bairros mais pobres da capital paraibana, a Okaida dita at\u00e9 um c\u00f3digo de conduta para seus integrantes e moradores. As proibi\u00e7\u00f5es s\u00e3o pintadas nos muros: n\u00e3o pode usar drogas na frente de crian\u00e7as, roubar na comunidade, escutar som alto tarde da noite e andar de moto em alta velocidade.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A origem da Okaida<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2719\/production\/_106490001_okainda.jpg\" alt=\"Em v\u00eddeo no Youtube, jovens cantam m\u00fasica 'Mago do Fac\u00e3o', que faz refer\u00eancia ao 'poder' da Okaida\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">REPRODU\u00c7\u00c3O\/YOUTUBE<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Em v\u00eddeo no YouTube, jovens cantam m\u00fasica &#8216;Mago do Fac\u00e3o&#8217;, que faz refer\u00eancia ao poder da Okaida<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>H\u00e1 hist\u00f3rias diferentes sobre a origem da fac\u00e7\u00e3o. Okaida \u00e9 uma forma abrasileirada do nome da rede terrorista que j\u00e1 foi comandada por Osama bin Laden, a Al-Qaeda. Mas a vers\u00e3o brasileira n\u00e3o tem nenhum aspecto religioso por tr\u00e1s.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que a quadrilha cresceu em paralelo com seu maior rival, a fac\u00e7\u00e3o Estados Unidos, criada em meados dos anos 2000.<\/p>\n<p>O conflito entre os dois grupos de criminosos j\u00e1 dura alguns anos nas ruas e nos pres\u00eddios &#8211; e, ironicamente, emula a guerra empreendida pelos americanos contra o terrorismo.<\/p>\n<p>No in\u00edcio dessa d\u00e9cada, enquanto a Okaida dominava bairros de Jo\u00e3o Pessoa como a Ilha do Bispo, S\u00e3o Jos\u00e9 e Alto do Mateus, os membros dos Estados Unidos estavam presentes nas regi\u00f5es de Mandacaru, Bola da Rede e Novais.<\/p>\n<p>Os dois grupos tamb\u00e9m se diferenciam pelas tatuagens de seus integrantes, como registra uma disserta\u00e7\u00e3o de mestrado conclu\u00edda em 2015 na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Feito pelo tenente-coronel Carlos Eduardo Santos, da Pol\u00edcia Militar da Para\u00edba, o estudo mapeou os s\u00edmbolos marcados na pele dos filiados \u00e0s fac\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quem \u00e9 da Okaida costuma marcar a pele com palha\u00e7os ou com o personagem Chucky, do filme\u00a0<i>Brinquedo Assassino<\/i>. J\u00e1 os membros da Estados Unidos tatuam a bandeira americana ou o desenho de um peixe.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, por\u00e9m, o crescimento da Okaida praticamente suplantou sua rival em n\u00famero e for\u00e7a, ainda que a Estados Unidos continue ocupando alguns poucos bairros e pavilh\u00f5es de cadeias de Jo\u00e3o Pessoa, segundo agentes de seguran\u00e7a.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A presen\u00e7a do PCC<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/037D\/production\/_105639800_hi051538119.jpg\" alt=\"Guarda no complexo penitenci\u00e1rio de Itatinga\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">REUTERS<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">No in\u00edcio dos anos 2000, o PCC expandiu os neg\u00f3cios para outros Estados, como Rio Grande do Norte e Para\u00edba<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre as duas fac\u00e7\u00f5es locais tem forte influ\u00eancia de um elemento &#8220;forasteiro&#8221;: o PCC. At\u00e9 2010, a Okaida era mais pr\u00f3xima do grupo paulista, que fornecia parte da droga vendida nas ruas. Mas um assassinato, que teria sido cometido a mando do PCC sem o aval dos paraibanos, afastou os grupos e criou um antagonismo violento entre eles.<\/p>\n<p>Nos anos seguintes, o grupo de S\u00e3o Paulo se aliou \u00e0 Estados Unidos, aumentando o conflito local. A guerra foi promovida dentro e fora dos pres\u00eddios com epis\u00f3dios de barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>Segundo pesquisadores, desde o \u00ednico da d\u00e9cada passada, o PCC decidiu atuar no atacado e fornecer a droga para grupos menores venderem nas capitais.<\/p>\n<p>&#8220;No in\u00edcio dos anos 2000, o PCC chegou nas fronteiras e conseguiu importar a droga, que ele repassa para aliados menores&#8221;, diz Bruno Paes Manso, pesquisador do N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e um dos autores do livro\u00a0<i>A Guerra: a ascens\u00e3o do PCC e o mundo do crime no Brasil<\/i>\u00a0(Ed. Todavia).<\/p>\n<p>A chegada dos paulistas no Nordeste e a maior oferta de drogas aumentaram rivalidades entre traficantes locais, avalia Paes Manso. &#8220;Como \u00e9 um mercado ilegal, as disputas se d\u00e3o pela for\u00e7a. E como o PCC tamb\u00e9m colocou armas na regi\u00e3o, essa din\u00e2mica produziu mais viol\u00eancia e assassinatos&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Na Para\u00edba, por exemplo, a taxa de homic\u00eddios cresceu bastante nesse per\u00edodo. Em 1996, o Estado registrava 19,2 assassinatos por 100 mil habitantes, segundo o Atlas da Viol\u00eancia. J\u00e1 em 2011, seu pico, o n\u00famero chegou a 42,5 mortes por 100 mil habitantes.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Norte, que tamb\u00e9m enfrenta problemas com fac\u00e7\u00f5es criminosas, o aumento foi mais dram\u00e1tico. Em 1996, o Estado registrava 9,4 assassinatos por 100 mil &#8211; em 2016, foram 53,3, alta de 466% em 20 anos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Os jovens da Okaida<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7539\/production\/_106490003_okaidacorreiodapb.jpg\" alt=\"No muro de um bairro de Jo\u00e3o Pessoa, a Okaida listou seu c\u00f3digo de conduta: 'n\u00e3o usar drogas na frente das cria\u00e7as','n\u00e3o roubar na comunidade em respeito ao cidad\u00e3o de bem' e 'n\u00e3o escutar som alto tarde noite', entre outras normas\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">ACERVO\/CORREIO DA PARA\u00cdBA<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">A Okaida listou seu c\u00f3digo de conduta em um muro de Jo\u00e3o Pessoa<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Um dos motores do crescimento da Okaida foi sua pol\u00edtica de filiar menores de idade &#8211; embora a Estados Unidos tamb\u00e9m utilize adolescentes, seu aliado PCC evita batiz\u00e1-los, segundo agentes de seguran\u00e7a da Para\u00edba.<\/p>\n<p>&#8220;Os que se dizem integrantes de fac\u00e7\u00f5es no nosso Estado s\u00e3o pessoas bastante jovens, inclusive admitindo-se adolescentes entre os faccionados&#8221;, diz o promotor Manoel Cacimiro Neto, do Gaeco (Grupo de Atua\u00e7\u00e3o Especial Contra o Crime Organizado) do Minist\u00e9rio P\u00fablico da Para\u00edba.<\/p>\n<p>Diverg\u00eancias com as &#8220;doutrinas&#8221; do PCC, ali\u00e1s, explicam tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o de outra fac\u00e7\u00e3o nordestina, o Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte. O grupo potiguar surgiu depois que criminosos questionaram a obriga\u00e7\u00e3o do PCC de submeter decis\u00f5es a chefes em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Essa presen\u00e7a massiva da juventude nas fac\u00e7\u00f5es do Nordeste tem impacto negativo no \u00edndice de homic\u00eddios dessa faixa et\u00e1ria &#8211; s\u00e3o eles as maiores v\u00edtimas dos conflitos.<\/p>\n<p>Segundo o Atlas da Viol\u00eancia, que re\u00fane dados at\u00e9 2016, a taxa de mortes violentas entre jovens paraibanos de 15 a 29 anos chegou a 70,4 pessoas por grupo de 100 mil habitantes. Embora o n\u00famero seja considerado muito alto, ainda \u00e9 menor que os de Estados vizinhos, como Cear\u00e1 (87,6) e Pernambuco (105,3) &#8211; a m\u00e9dia nacional \u00e9 65.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Norte, cuja quadrilha Sindicato do Crime tamb\u00e9m aposta no aliciamento de jovens e adolescentes, o \u00edndice de assassinatos entre eles chega a 125,5 por 100 mil habitantes &#8211; alta de 734% em 20 anos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Rede de fac\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>Segundo Marcelo Gerv\u00e1sio, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Agentes Penitenci\u00e1rios da Para\u00edba, os maiores pres\u00eddios do Estado t\u00eam alas separadas para integrantes da Okaida, Estados Unidos e PCC, mas a primeira ganha em n\u00famero.<\/p>\n<p>&#8220;Essa divis\u00e3o ocorre para garantir uma certa seguran\u00e7a do preso&#8221;, afirma.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A818\/production\/_96823034_7dcad1f1-8884-4254-afe1-80c81c13bc32.jpg\" alt=\"Rebeli\u00e3o em Alca\u00e7uz\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">AFP<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">No pres\u00eddio de Alca\u00e7uz, na regi\u00e3o metropolitana de Natal, ao menos 26 presos da fac\u00e7\u00e3o Sindicato do Crime foram mortos por integrantes do PCC<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Do lado de fora das pris\u00f5es, a Okaida se aliou ao Sindicato do Crime em uma rede de fac\u00e7\u00f5es que se contrap\u00f5em \u00e0 presen\u00e7a do PCC no Norte e no Nordeste &#8211; tamb\u00e9m fazem parte o Comando Vermelho, do Rio, e a Fam\u00edlia do Norte, que atua na regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Essa divis\u00e3o causou tr\u00eas massacres de presos em cadeias da regi\u00e3o em 2017 &#8211; os dois primeiros em Manaus e Boa Vista. O \u00faltimo ocorreu no pres\u00eddio de Alca\u00e7uz, na Grande Natal &#8211; ao menos 26 homens ligados ao Sindicato do Crime foram mortos por detentos do PCC. O motim seria uma vingan\u00e7a pelo ataque em Manaus, quando dezenas de integrantes da fac\u00e7\u00e3o paulista foram assassinados por membros da Fam\u00edlia do Norte.<\/p>\n<p>Segundo o promotor Manoel Cacimiro Neto, do Gaeco, essa rede anti-PCC consegue abastecer a regi\u00e3o com drogas e armas vindas de pa\u00edses fronteiri\u00e7os, como Col\u00f4mbia e Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>J\u00e1 o delegado Braz Morroni, ex-chefe da delegacia de narc\u00f3ticos da Para\u00edba, aponta que a Okaida consegue carregamentos oriundos do chamado &#8220;pol\u00edgono da maconha&#8221;, regi\u00e3o de Pernambuco conhecida por produzir grandes quantidades de\u00a0<i>cannabis<\/i>.<\/p>\n<p>Para o deputado estadual paraibano Walber Virgolino (Patriotas), que foi secret\u00e1rio de Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria da Para\u00edba e do Rio Grande do Norte, um dos principais objetivos das fac\u00e7\u00f5es locais \u00e9 impedir que o PCC domine o tr\u00e1fico de drogas na regi\u00e3o. &#8220;Hoje, o PCC s\u00f3 n\u00e3o tem o controle da Para\u00edba por causa da Okaida&#8221;, diz o parlamentar, hoje na oposi\u00e7\u00e3o ao governador Jo\u00e3o Azevedo (PSB).<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A &#8216;nova doutrina&#8217;<\/h2>\n<p>H\u00e1 pouco mais de um ano, houve uma cis\u00e3o na Okaida. Integrantes ficaram descontentes com o ent\u00e3o chefe do grupo, o detento Andr\u00e9 Quirino da Silva, conhecido como F\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Alguns membros ficaram muito irritados com a viol\u00eancia praticada por esse l\u00edder. F\u00e3o mandava matar pessoas da pr\u00f3pria fac\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Braz Morroni, hoje titular da delegacia de roubos e furtos.<\/p>\n<p>Surgiu uma dissid\u00eancia chamada Okaida RB (iniciais dos apelidos de presos conhecidos como Ro Psicopata e Betinho, criadores do novo grupo). Rapidamente, a nova fac\u00e7\u00e3o ganhou milhares de adeptos (6 mil, segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico), assumindo a maior parte do poder da antiga.<\/p>\n<p>Embora a Okaida RB ainda seja inimiga declarada do PCC, ela passou a seguir parte de suas &#8220;doutrinas&#8221;, segundo Morroni. A nova estrat\u00e9gia, que inclui ditar um c\u00f3digo de conduta nos bairros, tenta diminuir os assassinatos e roubos pr\u00f3ximos de pontos de venda de droga &#8211; com isso, a fac\u00e7\u00e3o evita a presen\u00e7a da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>&#8220;O foco s\u00e3o os neg\u00f3cios e n\u00e3o mais a viol\u00eancia extrema. Antigamente, d\u00edvidas de tr\u00e1fico eram punidas com a morte. Hoje, a Okaida negocia outras formas de pagamento &#8220;, afirma o delegado.<\/p>\n<p>Para o promotor Manoel Cacimiro Neto, a Okaida &#8220;n\u00e3o possui uma estrutura hierarquizada r\u00edgida, a exemplo do PCC&#8221;. Ou seja, apesar de existirem chefes com maior influ\u00eancia, a fac\u00e7\u00e3o &#8220;pulverizou&#8221; o poder em v\u00e1rios territ\u00f3rios, segundo Neto.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16E44\/production\/_94246739_gettyimages-631961530.jpg\" alt=\"Siglas de fac\u00e7\u00f5es pichadas nas paredes da Penitenci\u00e1ria Estadual de Alca\u00e7uz durante rebeli\u00e3o no Rio Grande do Norte\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">ANDRESSA ANHOLETE\/AFP\/GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Os muros do pres\u00eddio de Alca\u00e7uz, no Rio Grande do Norte, mostram diversas siglas de fac\u00e7\u00f5es: PCC, Sindicato do Crime, Fam\u00edlia do Norte e Comando Vermelho<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A expans\u00e3o<\/h2>\n<p>A ascens\u00e3o da Okaida coincide com uma sequ\u00eancia de quedas dos homic\u00eddios na Para\u00edba. Segundo o Anu\u00e1rio Brasileiro da Seguran\u00e7a P\u00fablica, que compila dados das secretarias estaduais da \u00e1rea, o Estado registrou 1.286 assassinatos em 2017 &#8211; baixa de 16,7% em rela\u00e7\u00e3o a 2014.<\/p>\n<p>Segundo especialistas, boa parte da queda est\u00e1 relacionada ao programa de redu\u00e7\u00e3o de homic\u00eddios do governo estadual, o &#8220;Para\u00edba Unida pela Paz&#8221;, que conseguiu diminuir a taxa de homic\u00eddios para 31,9 mortes a cada 100 mil habitantes em sete anos.<\/p>\n<p>Por outro lado, a Okaida expandiu seus bra\u00e7os para outros cidades paraibanas. A fac\u00e7\u00e3o atua em munc\u00edpios como Cachoeira dos \u00cdndios e Campina Grande, a segunda maior cidade do Estado.<\/p>\n<p>Reportagem do jornal Correio da Para\u00edba mostrou que v\u00e1rios bairros da periferia de Campina Grande j\u00e1 est\u00e3o ocupados pelo grupo criminoso &#8211; em um deles, por exemplo, integrantes da fac\u00e7\u00e3o t\u00eam o controle at\u00e9 das chaves de uma escola p\u00fablica.<\/p>\n<p>Ao sul, c\u00e9lulas da Okaida tamb\u00e9m foram desmontadas pela pol\u00edcia em cidades de Pernambuco.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/FC6E\/production\/_99122646_459cb9a0-41c1-4bcf-8499-2d54aa9c21f1.jpg\" alt=\"Cela de pres\u00eddio superlotada\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Tanto a Para\u00edba quanto Pernambuco enfrentam superlota\u00e7\u00e3o em seus pres\u00eddios<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Em mar\u00e7o do ano passado, uma opera\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Civil descobriu que integrantes da Okaida estavam organizando roubos e o tr\u00e1fico de drogas em Camutanga, munic\u00edpio na zona da mata pernambucana. Outra c\u00e9lula foi descoberta neste m\u00eas em Afogados, bairro do Recife.<\/p>\n<p>Os pres\u00eddios pernambucanos tamb\u00e9m t\u00eam presen\u00e7a de integrantes da Okaida, segundo Jo\u00e3o Carvalho, presidente do sindicato dos agentes penitenci\u00e1rios local. &#8220;Nas cadeias de Pernambuco, a for\u00e7a das fac\u00e7\u00f5es se divide entre PCC, Okaida e Comando Vermelho&#8221;, diz.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Os pres\u00eddios e o que dizem os governos<\/h2>\n<p>Tanto a Para\u00edba quanto Pernambuco t\u00eam superlota\u00e7\u00e3o em suas cadeias. Aliada \u00e0 precariedade estrutural dos espa\u00e7os, o aumento exponencial da massa carcer\u00e1ria facilita, em tese, o aliciamento de novos &#8220;soldados&#8221; pelas fac\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n<p>Segundo o Conselho Nacional de Justi\u00e7a, a Para\u00edba apresenta um d\u00e9ficit de 5.430 vagas no sistema carcer\u00e1rio &#8211; no total, o Estado tem 13.189 presos. O governo diz que tem investido na cria\u00e7\u00e3o de novos pres\u00eddios.<\/p>\n<p>J\u00e1 Pernambuco tem 32.884 detentos para 11.689 vagas &#8211; d\u00e9ficit de mais de 21 mil. O governo de Paulo C\u00e2mara (PSB) afirma que &#8220;criou nos \u00faltimos quatro anos 2.374 vagas nos pres\u00eddios&#8221; para diminuir a superlota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sobre a expans\u00e3o da Okaida, o governo da Para\u00edba diz que programas estaduais de redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia t\u00eam dado certo. &#8220;O resultado foi a queda de crimes contra a vida durante sete anos consecutivos no Estado e tamb\u00e9m nos primeiros tr\u00eas meses de 2019.&#8221;<\/p>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Leandro Machado<\/span><\/div>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__title\">Da BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionFormada principalmente por jovens e adolescentes, a Okaida conta com um &#8216;ex\u00e9rcito&#8217; de cerca de 6 mil pessoas na Para\u00edba Era para ser uma esp\u00e9cie de clipe musical sobre o crime na Para\u00edba. Sete jovens est\u00e3o com os rostos cobertos por panos brancos. Ao viol\u00e3o, um deles toca uma melodia roqueira. Tr\u00eas garotos, mais atr\u00e1s, carregam facas e fazem movimentos de dan\u00e7a como se estivessem golpeando algu\u00e9m. \u00c0 frente, o vocalista nomeia a m\u00fasica: &#8220;Mago do Fac\u00e3o&#8221;. A letra come\u00e7a assim: &#8220;Pensamento eloquente me leva a mais um aviso \/ poder do crime fica cada vez mais infinito&#8221;. O refr\u00e3o, por sua vez, explica quem \u00e9 o protagonista do som: &#8220;Nossa uni\u00e3o \u00e9 massa em v\u00e1rias quebradas \/ fechamento forte \/ fac\u00e7\u00e3o Okaida&#8221;. O v\u00eddeo, gravado em uma pris\u00e3o e publicado no YouTube em maio de 2017, mostra duas caracter\u00edsticas da fac\u00e7\u00e3o que hoje praticamente domina o crime paraibano: juventude e autopromo\u00e7\u00e3o em redes sociais. Composta de jovens e adolescentes, a Okaida cresceu nos \u00faltimos anos: atualmente, domina v\u00e1rios munic\u00edpios, expandiu seus bra\u00e7os para Pernambuco e conta com 6 mil membros &#8220;batizados&#8221; na Para\u00edba, segundo investiga\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual paraibano. Como compara\u00e7\u00e3o, o Primeiro Comando da Capital (PCC), maior e mais poderosa fac\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, tinha pouco mais 30 mil &#8220;filiados&#8221; em 2017 &#8211; recentemente, o grupo fez uma campanha para aumentar seu &#8220;ex\u00e9rcito&#8221;. Em outubro do ano passado, os &#8220;soldados&#8221; da Okaida deram outra demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica de for\u00e7a: promoveram queimas de fogos de artif\u00edcio para comemorar o anivers\u00e1rio da sigla em seis cidades da Para\u00edba, como Jo\u00e3o Pessoa, Campina Grande, Santa Rita e Guarabira. V\u00eddeos da festa est\u00e3o nas redes sociais e no YouTube. Em bairros mais pobres da capital paraibana, a Okaida dita at\u00e9 um c\u00f3digo de conduta para seus integrantes e moradores. As proibi\u00e7\u00f5es s\u00e3o pintadas nos muros: n\u00e3o pode usar drogas na frente de crian\u00e7as, roubar na comunidade, escutar som alto tarde da noite e andar de moto em alta velocidade. A origem da Okaida Direito de imagemREPRODU\u00c7\u00c3O\/YOUTUBEImage captionEm v\u00eddeo no YouTube, jovens cantam m\u00fasica &#8216;Mago do Fac\u00e3o&#8217;, que faz refer\u00eancia ao poder da Okaida H\u00e1 hist\u00f3rias diferentes sobre a origem da fac\u00e7\u00e3o. Okaida \u00e9 uma forma abrasileirada do nome da rede terrorista que j\u00e1 foi comandada por Osama bin Laden, a Al-Qaeda. Mas a vers\u00e3o brasileira n\u00e3o tem nenhum aspecto religioso por tr\u00e1s. O certo \u00e9 que a quadrilha cresceu em paralelo com seu maior rival, a fac\u00e7\u00e3o Estados Unidos, criada em meados dos anos 2000. O conflito entre os dois grupos de criminosos j\u00e1 dura alguns anos nas ruas e nos pres\u00eddios &#8211; e, ironicamente, emula a guerra empreendida pelos americanos contra o terrorismo. No in\u00edcio dessa d\u00e9cada, enquanto a Okaida dominava bairros de Jo\u00e3o Pessoa como a Ilha do Bispo, S\u00e3o Jos\u00e9 e Alto do Mateus, os membros dos Estados Unidos estavam presentes nas regi\u00f5es de Mandacaru, Bola da Rede e Novais. Os dois grupos tamb\u00e9m se diferenciam pelas tatuagens de seus integrantes, como registra uma disserta\u00e7\u00e3o de mestrado conclu\u00edda em 2015 na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Feito pelo tenente-coronel Carlos Eduardo Santos, da Pol\u00edcia Militar da Para\u00edba, o estudo mapeou os s\u00edmbolos marcados na pele dos filiados \u00e0s fac\u00e7\u00f5es. Quem \u00e9 da Okaida costuma marcar a pele com palha\u00e7os ou com o personagem Chucky, do filme\u00a0Brinquedo Assassino. J\u00e1 os membros da Estados Unidos tatuam a bandeira americana ou o desenho de um peixe. Nos \u00faltimos anos, por\u00e9m, o crescimento da Okaida praticamente suplantou sua rival em n\u00famero e for\u00e7a, ainda que a Estados Unidos continue ocupando alguns poucos bairros e pavilh\u00f5es de cadeias de Jo\u00e3o Pessoa, segundo agentes de seguran\u00e7a. A presen\u00e7a do PCC Direito de imagemREUTERSImage captionNo in\u00edcio dos anos 2000, o PCC expandiu os neg\u00f3cios para outros Estados, como Rio Grande do Norte e Para\u00edba A rela\u00e7\u00e3o entre as duas fac\u00e7\u00f5es locais tem forte influ\u00eancia de um elemento &#8220;forasteiro&#8221;: o PCC. At\u00e9 2010, a Okaida era mais pr\u00f3xima do grupo paulista, que fornecia parte da droga vendida nas ruas. Mas um assassinato, que teria sido cometido a mando do PCC sem o aval dos paraibanos, afastou os grupos e criou um antagonismo violento entre eles. Nos anos seguintes, o grupo de S\u00e3o Paulo se aliou \u00e0 Estados Unidos, aumentando o conflito local. A guerra foi promovida dentro e fora dos pres\u00eddios com epis\u00f3dios de barb\u00e1rie. Segundo pesquisadores, desde o \u00ednico da d\u00e9cada passada, o PCC decidiu atuar no atacado e fornecer a droga para grupos menores venderem nas capitais. &#8220;No in\u00edcio dos anos 2000, o PCC chegou nas fronteiras e conseguiu importar a droga, que ele repassa para aliados menores&#8221;, diz Bruno Paes Manso, pesquisador do N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e um dos autores do livro\u00a0A Guerra: a ascens\u00e3o do PCC e o mundo do crime no Brasil\u00a0(Ed. Todavia). A chegada dos paulistas no Nordeste e a maior oferta de drogas aumentaram rivalidades entre traficantes locais, avalia Paes Manso. &#8220;Como \u00e9 um mercado ilegal, as disputas se d\u00e3o pela for\u00e7a. E como o PCC tamb\u00e9m colocou armas na regi\u00e3o, essa din\u00e2mica produziu mais viol\u00eancia e assassinatos&#8221;, diz. Na Para\u00edba, por exemplo, a taxa de homic\u00eddios cresceu bastante nesse per\u00edodo. Em 1996, o Estado registrava 19,2 assassinatos por 100 mil habitantes, segundo o Atlas da Viol\u00eancia. J\u00e1 em 2011, seu pico, o n\u00famero chegou a 42,5 mortes por 100 mil habitantes. No Rio Grande do Norte, que tamb\u00e9m enfrenta problemas com fac\u00e7\u00f5es criminosas, o aumento foi mais dram\u00e1tico. Em 1996, o Estado registrava 9,4 assassinatos por 100 mil &#8211; em 2016, foram 53,3, alta de 466% em 20 anos. Os jovens da Okaida Direito de imagemACERVO\/CORREIO DA PARA\u00cdBAImage captionA Okaida listou seu c\u00f3digo de conduta em um muro de Jo\u00e3o Pessoa Um dos motores do crescimento da Okaida foi sua pol\u00edtica de filiar menores de idade &#8211; embora a Estados Unidos tamb\u00e9m utilize adolescentes, seu aliado PCC evita batiz\u00e1-los, segundo agentes de seguran\u00e7a da Para\u00edba. &#8220;Os que se dizem integrantes de fac\u00e7\u00f5es no nosso<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":16725,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-16724","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>A ascens\u00e3o da Okaida, fac\u00e7\u00e3o criminosa com 6 mil &#039;soldados&#039; na Para\u00edba - Not&iacute;cias em Destaque<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/noticiasemdestaque.com\/cd\/?p=16724\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A ascens\u00e3o da Okaida, fac\u00e7\u00e3o criminosa com 6 mil &#039;soldados&#039; na Para\u00edba - Not&iacute;cias em Destaque\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"&nbsp; Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionFormada principalmente por jovens e adolescentes, a Okaida conta com um &#8216;ex\u00e9rcito&#8217; de cerca de 6 mil pessoas na Para\u00edba Era para ser uma esp\u00e9cie de clipe musical sobre o crime na Para\u00edba. Sete jovens est\u00e3o com os rostos cobertos por panos brancos. Ao viol\u00e3o, um deles toca uma melodia roqueira. Tr\u00eas garotos, mais atr\u00e1s, carregam facas e fazem movimentos de dan\u00e7a como se estivessem golpeando algu\u00e9m. \u00c0 frente, o vocalista nomeia a m\u00fasica: &#8220;Mago do Fac\u00e3o&#8221;. A letra come\u00e7a assim: &#8220;Pensamento eloquente me leva a mais um aviso \/ poder do crime fica cada vez mais infinito&#8221;. O refr\u00e3o, por sua vez, explica quem \u00e9 o protagonista do som: &#8220;Nossa uni\u00e3o \u00e9 massa em v\u00e1rias quebradas \/ fechamento forte \/ fac\u00e7\u00e3o Okaida&#8221;. O v\u00eddeo, gravado em uma pris\u00e3o e publicado no YouTube em maio de 2017, mostra duas caracter\u00edsticas da fac\u00e7\u00e3o que hoje praticamente domina o crime paraibano: juventude e autopromo\u00e7\u00e3o em redes sociais. Composta de jovens e adolescentes, a Okaida cresceu nos \u00faltimos anos: atualmente, domina v\u00e1rios munic\u00edpios, expandiu seus bra\u00e7os para Pernambuco e conta com 6 mil membros &#8220;batizados&#8221; na Para\u00edba, segundo investiga\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual paraibano. Como compara\u00e7\u00e3o, o Primeiro Comando da Capital (PCC), maior e mais poderosa fac\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, tinha pouco mais 30 mil &#8220;filiados&#8221; em 2017 &#8211; recentemente, o grupo fez uma campanha para aumentar seu &#8220;ex\u00e9rcito&#8221;. Em outubro do ano passado, os &#8220;soldados&#8221; da Okaida deram outra demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica de for\u00e7a: promoveram queimas de fogos de artif\u00edcio para comemorar o anivers\u00e1rio da sigla em seis cidades da Para\u00edba, como Jo\u00e3o Pessoa, Campina Grande, Santa Rita e Guarabira. V\u00eddeos da festa est\u00e3o nas redes sociais e no YouTube. Em bairros mais pobres da capital paraibana, a Okaida dita at\u00e9 um c\u00f3digo de conduta para seus integrantes e moradores. As proibi\u00e7\u00f5es s\u00e3o pintadas nos muros: n\u00e3o pode usar drogas na frente de crian\u00e7as, roubar na comunidade, escutar som alto tarde da noite e andar de moto em alta velocidade. A origem da Okaida Direito de imagemREPRODU\u00c7\u00c3O\/YOUTUBEImage captionEm v\u00eddeo no YouTube, jovens cantam m\u00fasica &#8216;Mago do Fac\u00e3o&#8217;, que faz refer\u00eancia ao poder da Okaida H\u00e1 hist\u00f3rias diferentes sobre a origem da fac\u00e7\u00e3o. Okaida \u00e9 uma forma abrasileirada do nome da rede terrorista que j\u00e1 foi comandada por Osama bin Laden, a Al-Qaeda. Mas a vers\u00e3o brasileira n\u00e3o tem nenhum aspecto religioso por tr\u00e1s. O certo \u00e9 que a quadrilha cresceu em paralelo com seu maior rival, a fac\u00e7\u00e3o Estados Unidos, criada em meados dos anos 2000. O conflito entre os dois grupos de criminosos j\u00e1 dura alguns anos nas ruas e nos pres\u00eddios &#8211; e, ironicamente, emula a guerra empreendida pelos americanos contra o terrorismo. No in\u00edcio dessa d\u00e9cada, enquanto a Okaida dominava bairros de Jo\u00e3o Pessoa como a Ilha do Bispo, S\u00e3o Jos\u00e9 e Alto do Mateus, os membros dos Estados Unidos estavam presentes nas regi\u00f5es de Mandacaru, Bola da Rede e Novais. Os dois grupos tamb\u00e9m se diferenciam pelas tatuagens de seus integrantes, como registra uma disserta\u00e7\u00e3o de mestrado conclu\u00edda em 2015 na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Feito pelo tenente-coronel Carlos Eduardo Santos, da Pol\u00edcia Militar da Para\u00edba, o estudo mapeou os s\u00edmbolos marcados na pele dos filiados \u00e0s fac\u00e7\u00f5es. Quem \u00e9 da Okaida costuma marcar a pele com palha\u00e7os ou com o personagem Chucky, do filme\u00a0Brinquedo Assassino. J\u00e1 os membros da Estados Unidos tatuam a bandeira americana ou o desenho de um peixe. Nos \u00faltimos anos, por\u00e9m, o crescimento da Okaida praticamente suplantou sua rival em n\u00famero e for\u00e7a, ainda que a Estados Unidos continue ocupando alguns poucos bairros e pavilh\u00f5es de cadeias de Jo\u00e3o Pessoa, segundo agentes de seguran\u00e7a. A presen\u00e7a do PCC Direito de imagemREUTERSImage captionNo in\u00edcio dos anos 2000, o PCC expandiu os neg\u00f3cios para outros Estados, como Rio Grande do Norte e Para\u00edba A rela\u00e7\u00e3o entre as duas fac\u00e7\u00f5es locais tem forte influ\u00eancia de um elemento &#8220;forasteiro&#8221;: o PCC. At\u00e9 2010, a Okaida era mais pr\u00f3xima do grupo paulista, que fornecia parte da droga vendida nas ruas. Mas um assassinato, que teria sido cometido a mando do PCC sem o aval dos paraibanos, afastou os grupos e criou um antagonismo violento entre eles. Nos anos seguintes, o grupo de S\u00e3o Paulo se aliou \u00e0 Estados Unidos, aumentando o conflito local. A guerra foi promovida dentro e fora dos pres\u00eddios com epis\u00f3dios de barb\u00e1rie. Segundo pesquisadores, desde o \u00ednico da d\u00e9cada passada, o PCC decidiu atuar no atacado e fornecer a droga para grupos menores venderem nas capitais. &#8220;No in\u00edcio dos anos 2000, o PCC chegou nas fronteiras e conseguiu importar a droga, que ele repassa para aliados menores&#8221;, diz Bruno Paes Manso, pesquisador do N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e um dos autores do livro\u00a0A Guerra: a ascens\u00e3o do PCC e o mundo do crime no Brasil\u00a0(Ed. Todavia). A chegada dos paulistas no Nordeste e a maior oferta de drogas aumentaram rivalidades entre traficantes locais, avalia Paes Manso. &#8220;Como \u00e9 um mercado ilegal, as disputas se d\u00e3o pela for\u00e7a. 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Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionFormada principalmente por jovens e adolescentes, a Okaida conta com um &#8216;ex\u00e9rcito&#8217; de cerca de 6 mil pessoas na Para\u00edba Era para ser uma esp\u00e9cie de clipe musical sobre o crime na Para\u00edba. Sete jovens est\u00e3o com os rostos cobertos por panos brancos. Ao viol\u00e3o, um deles toca uma melodia roqueira. Tr\u00eas garotos, mais atr\u00e1s, carregam facas e fazem movimentos de dan\u00e7a como se estivessem golpeando algu\u00e9m. \u00c0 frente, o vocalista nomeia a m\u00fasica: &#8220;Mago do Fac\u00e3o&#8221;. A letra come\u00e7a assim: &#8220;Pensamento eloquente me leva a mais um aviso \/ poder do crime fica cada vez mais infinito&#8221;. O refr\u00e3o, por sua vez, explica quem \u00e9 o protagonista do som: &#8220;Nossa uni\u00e3o \u00e9 massa em v\u00e1rias quebradas \/ fechamento forte \/ fac\u00e7\u00e3o Okaida&#8221;. O v\u00eddeo, gravado em uma pris\u00e3o e publicado no YouTube em maio de 2017, mostra duas caracter\u00edsticas da fac\u00e7\u00e3o que hoje praticamente domina o crime paraibano: juventude e autopromo\u00e7\u00e3o em redes sociais. Composta de jovens e adolescentes, a Okaida cresceu nos \u00faltimos anos: atualmente, domina v\u00e1rios munic\u00edpios, expandiu seus bra\u00e7os para Pernambuco e conta com 6 mil membros &#8220;batizados&#8221; na Para\u00edba, segundo investiga\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual paraibano. Como compara\u00e7\u00e3o, o Primeiro Comando da Capital (PCC), maior e mais poderosa fac\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, tinha pouco mais 30 mil &#8220;filiados&#8221; em 2017 &#8211; recentemente, o grupo fez uma campanha para aumentar seu &#8220;ex\u00e9rcito&#8221;. Em outubro do ano passado, os &#8220;soldados&#8221; da Okaida deram outra demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica de for\u00e7a: promoveram queimas de fogos de artif\u00edcio para comemorar o anivers\u00e1rio da sigla em seis cidades da Para\u00edba, como Jo\u00e3o Pessoa, Campina Grande, Santa Rita e Guarabira. V\u00eddeos da festa est\u00e3o nas redes sociais e no YouTube. Em bairros mais pobres da capital paraibana, a Okaida dita at\u00e9 um c\u00f3digo de conduta para seus integrantes e moradores. As proibi\u00e7\u00f5es s\u00e3o pintadas nos muros: n\u00e3o pode usar drogas na frente de crian\u00e7as, roubar na comunidade, escutar som alto tarde da noite e andar de moto em alta velocidade. A origem da Okaida Direito de imagemREPRODU\u00c7\u00c3O\/YOUTUBEImage captionEm v\u00eddeo no YouTube, jovens cantam m\u00fasica &#8216;Mago do Fac\u00e3o&#8217;, que faz refer\u00eancia ao poder da Okaida H\u00e1 hist\u00f3rias diferentes sobre a origem da fac\u00e7\u00e3o. Okaida \u00e9 uma forma abrasileirada do nome da rede terrorista que j\u00e1 foi comandada por Osama bin Laden, a Al-Qaeda. Mas a vers\u00e3o brasileira n\u00e3o tem nenhum aspecto religioso por tr\u00e1s. O certo \u00e9 que a quadrilha cresceu em paralelo com seu maior rival, a fac\u00e7\u00e3o Estados Unidos, criada em meados dos anos 2000. O conflito entre os dois grupos de criminosos j\u00e1 dura alguns anos nas ruas e nos pres\u00eddios &#8211; e, ironicamente, emula a guerra empreendida pelos americanos contra o terrorismo. No in\u00edcio dessa d\u00e9cada, enquanto a Okaida dominava bairros de Jo\u00e3o Pessoa como a Ilha do Bispo, S\u00e3o Jos\u00e9 e Alto do Mateus, os membros dos Estados Unidos estavam presentes nas regi\u00f5es de Mandacaru, Bola da Rede e Novais. Os dois grupos tamb\u00e9m se diferenciam pelas tatuagens de seus integrantes, como registra uma disserta\u00e7\u00e3o de mestrado conclu\u00edda em 2015 na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Feito pelo tenente-coronel Carlos Eduardo Santos, da Pol\u00edcia Militar da Para\u00edba, o estudo mapeou os s\u00edmbolos marcados na pele dos filiados \u00e0s fac\u00e7\u00f5es. Quem \u00e9 da Okaida costuma marcar a pele com palha\u00e7os ou com o personagem Chucky, do filme\u00a0Brinquedo Assassino. J\u00e1 os membros da Estados Unidos tatuam a bandeira americana ou o desenho de um peixe. Nos \u00faltimos anos, por\u00e9m, o crescimento da Okaida praticamente suplantou sua rival em n\u00famero e for\u00e7a, ainda que a Estados Unidos continue ocupando alguns poucos bairros e pavilh\u00f5es de cadeias de Jo\u00e3o Pessoa, segundo agentes de seguran\u00e7a. A presen\u00e7a do PCC Direito de imagemREUTERSImage captionNo in\u00edcio dos anos 2000, o PCC expandiu os neg\u00f3cios para outros Estados, como Rio Grande do Norte e Para\u00edba A rela\u00e7\u00e3o entre as duas fac\u00e7\u00f5es locais tem forte influ\u00eancia de um elemento &#8220;forasteiro&#8221;: o PCC. At\u00e9 2010, a Okaida era mais pr\u00f3xima do grupo paulista, que fornecia parte da droga vendida nas ruas. Mas um assassinato, que teria sido cometido a mando do PCC sem o aval dos paraibanos, afastou os grupos e criou um antagonismo violento entre eles. Nos anos seguintes, o grupo de S\u00e3o Paulo se aliou \u00e0 Estados Unidos, aumentando o conflito local. A guerra foi promovida dentro e fora dos pres\u00eddios com epis\u00f3dios de barb\u00e1rie. Segundo pesquisadores, desde o \u00ednico da d\u00e9cada passada, o PCC decidiu atuar no atacado e fornecer a droga para grupos menores venderem nas capitais. &#8220;No in\u00edcio dos anos 2000, o PCC chegou nas fronteiras e conseguiu importar a droga, que ele repassa para aliados menores&#8221;, diz Bruno Paes Manso, pesquisador do N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e um dos autores do livro\u00a0A Guerra: a ascens\u00e3o do PCC e o mundo do crime no Brasil\u00a0(Ed. Todavia). A chegada dos paulistas no Nordeste e a maior oferta de drogas aumentaram rivalidades entre traficantes locais, avalia Paes Manso. &#8220;Como \u00e9 um mercado ilegal, as disputas se d\u00e3o pela for\u00e7a. E como o PCC tamb\u00e9m colocou armas na regi\u00e3o, essa din\u00e2mica produziu mais viol\u00eancia e assassinatos&#8221;, diz. Na Para\u00edba, por exemplo, a taxa de homic\u00eddios cresceu bastante nesse per\u00edodo. Em 1996, o Estado registrava 19,2 assassinatos por 100 mil habitantes, segundo o Atlas da Viol\u00eancia. J\u00e1 em 2011, seu pico, o n\u00famero chegou a 42,5 mortes por 100 mil habitantes. No Rio Grande do Norte, que tamb\u00e9m enfrenta problemas com fac\u00e7\u00f5es criminosas, o aumento foi mais dram\u00e1tico. Em 1996, o Estado registrava 9,4 assassinatos por 100 mil &#8211; em 2016, foram 53,3, alta de 466% em 20 anos. Os jovens da Okaida Direito de imagemACERVO\/CORREIO DA PARA\u00cdBAImage captionA Okaida listou seu c\u00f3digo de conduta em um muro de Jo\u00e3o Pessoa Um dos motores do crescimento da Okaida foi sua pol\u00edtica de filiar menores de idade &#8211; embora a Estados Unidos tamb\u00e9m utilize adolescentes, seu aliado PCC evita batiz\u00e1-los, segundo agentes de seguran\u00e7a da Para\u00edba. &#8220;Os que se dizem integrantes de fac\u00e7\u00f5es no nosso","og_url":"https:\/\/noticiasemdestaque.com\/cd\/?p=16724","og_site_name":"Not&iacute;cias em Destaque","article_published_time":"2019-04-19T08:52:53+00:00","og_image":[{"width":660,"height":371,"url":"https:\/\/noticiasemdestaque.com\/cd\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/99549830_hi043945967.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Not\u00edcias em Destaque","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Not\u00edcias em Destaque","Est. tempo de leitura":"12 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/noticiasemdestaque.com\/cd\/?p=16724#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/noticiasemdestaque.com\/cd\/?p=16724"},"author":{"name":"Not\u00edcias em Destaque","@id":"https:\/\/noticiasemdestaque.com\/cd\/#\/schema\/person\/6748ab1fae3290e788a15d240e1f7348"},"headline":"A ascens\u00e3o da Okaida, fac\u00e7\u00e3o criminosa com 6 mil &#8216;soldados&#8217; 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